terça-feira, 17 de novembro de 2009

17.11.09 - Um dia de luto

O dia já parecia prever o que viria, logo cedo da manhã. Amanheceu nublado, como quem diz que vai chover. O sol se negou a brilhar, e tinha motivo. A dor e a tristeza se espalharia de tal forma naquele dia, que a presença do sol, ou do céu azul, não faria diferença.
Foi quando veio a notícia. Perdi o chão. Caí na cadeira. As lágrimas vieram à tona. E eu teimava em não acreditar. Não era possível, aos meus olhos. Fiquei paralisada. As palavras me faltaram, assim como a reação. Só ouvia as vozes ao fundo, comentando sobre o triste acontecimento recente.
"É mentira. Devem ter confundido as pessoas." Eu repetia para mim mesma.
Não adiantava, insistiam em falar friamente o que aconteceu.
Me contaram como foi, sem eu nem precisar pedir. Foi cruel. Doeu, só de pensar.
Desabei. Um turbilhão de pensamentos iam e vinham, dentro da minha cabeça. A lembrança da menina loira mais meiga que já conheci, era a única que eu conseguia pensar. E eu, que nunca tinha sentido a perda de alguém, assim.. É triste. É doloroso. É desesperador. Era como eu me encontrava.
E logo, todos já estavam sabendo. Choro. Era tudo o que se ouvia. Dei meu ombro pra muita gente chorar.. E recebi abraços reconfortantes, também. Ninguém sabia o que fazer, nem o que pensar. 
A Igreja, era o nosso destino. Lá, estavam reunidos todos os amigos da garota loira, de sorriso contagiante. Houve troca de abraços, e palavras consoladoras. Perdi a conta de quantos arranjos de rosas diferentes, haviam ali. Todas brancas, e rosas. Lembrando você.
A noite chegou. Escureceu tudo, rapidamente. E o céu, novamente em luto, não brilhava estrela nenhuma. A lua tinha saído, para enxugar suas lágrimas. E as nuvens ficaram. Pesadas. Sinal de chuva chegando. O céu chorou. Junto com todos, aqui embaixo.
Aqui dentro, ficou uma confusão de sentimentos. A tristeza, pela sua ida, inesperada. Pela nossa perda. E o conforto, de saber que está tendo festa no céu, pela sua chegada aí em cima. Mais um anjo, eu tenho certeza. Oramos. Louvamos. E oramos de novo. Muito. Se aconteceu, foi permissão de Deus. Que sabe de todas as coisas. "Deus deu, Deus tirou. Louvado seja o nome do Senhor." 
Brilhou por aqui, por todo os lugares por onde passou. E amanhã, ela será o primeiro raio de sol a raiar. Brilha daí de cima, Letícia. Brilha!


Deixo um beijo, daqueles bem grande. E um abraço apertado, pra você.
Na glória, nos encontraremos novamente, Balzinha. ♥

domingo, 15 de novembro de 2009

Clichê




She believed.
He lied.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Do jeito que aconteceu.

Vocês querem ouvir a minha história? É sobre um garoto, que surgiu do nada. O tipo de garoto que você reconhece, à primeira vista, como sendo seu.
Desde que eu o vi. Nunca vou esquecer. Foi como mágica, aquele encontro. Antes mesmo de o conhecer, eu já sabia. E ele também parecia sentir, o que só nós dois sabíamos. É, pelo jeito como me olhava, ele também devia saber. O seu olhar no meu, não me deixou escolhas. Foi profundo e sincero. Como o de ninguém antes, havia sido. A intensidade daqueles braços me envolvendo em um abraço - curto, deveras - porém cheio de vontade. Vontade de não me deixar sair. Seria isso? Se for, basta para mim. Isso. Me segurar forte, e nunca me deixar ir.
Se tivesse sido um outro dia, talvez eu olhasse para baixo, na hora em que ele passasse. E então, eu nunca o teria percebido. Mas, eu nunca vou entender, como isso aconteceu. Foi à primeira vista. E sendo assim, sonharei com ele essa noite.
E não vai demorar muito, até nos encontrarmos novamente.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

De Maria e Brenda, para o mundo.


É amor que elas querem. Amor de verdade, amor possível. 
Ninguém precisa aparecer em cavalo branco  e levá-las prum castelo.
O que é real, é suficiente.


Lá estávamos, Maria e eu, conversando sobre amores e desamores, quando surgiu nela uma pergunta. 
E em nós, todas as respostas.


Maria: E esse vazio em nós?
Brenda: É a falta de nós.
Falta a gente se querer. Querer bem, a mais ninguém, só a nós.
E depois, os de fora vão olhar nosso vazio - não como algo feio, triste. Mas lindo e pedido pra ser preenchido. E vão querer preencher
Maria: Então eu tô esperando eu ser legal, divertida e atraente, aí sim eu me interesso por mim.
Brenda: Então, é só se deixar ser. Se deixar acontecer. É urgência, isso.
Maria: O problema -em meu caso- é querer o impossível. Eu olho pro céu e quero agarrar estrelas.
Brenda: As estrelas, no meu caso, se agarram nos meus cílios, fechando os olhos. Me fazendo sonhar. Com o impossível, também. Culpa das estrelas, então?

Maria: Culpa do Sol que não aparece logo, pra esconder as estrelas..Eu quero um Sol.;
Brenda: Quero o verão, então.. Sol, sol, sol. 
E um espanador, ia bem. Pra tirar as estrelas dos olhos, e a poeira do coração.
Maria: Quero o sol pra derreter o que congelou aqui.E quando eu acho to quente, esfriei toda de novo. Porque não tem Sol. 

É isso Bê, precisamos do Sol.
Brenda: Uma dose de sol, por favor. Pra esquentar o que esfriou. Pra iluminar a escuridão.
Essa bola de fogo gigante, tem que servir pra alguma coisa. 
Mas sentimento é abstrato, Má.. isso resolve?
Maria: 
Sentimento comigo é concreto. Porque eu sinto na pele. Sinto mesmo porque sou boba
A dor é de verdade. E o alívio - quando vem - também é.
Brenda: 
Sentimento comigo é água. Mole. Não dá pra segurar. E quando resolve chover, então..
Os olhos viram nuvens. E aqui entra o sol, mais uma vez.. Pra fazer as lágrimas evaporarem. Rápido, por favor.
Maria: Sentimento é um moleque aprontador que brinca de pega-pega com meu coração. Ele vem, vai, vem, vai. Corre, chuta, bate, grita e depois some. Não pense que quando ele some é uma coisa boa também...
Brenda: 
É brincadeira de criança. De tanto correr e pular, acaba caindo. E se machuca. Coitado, não sabia até onde podia chegar.
Maria: Coitada de mim que sinto o sentimento bem perto e não faço um movimento pra me esquivar.
Brenda: Nessas horas, a gente vira estátua. E deixa o sentimento nos atingir em cheio. Sem pestanejar. É sem sentido. Mas é assim que acontece. Com todo mundo.
Maria: 
É por esperança que eu não me movo. É por achar que dessa vez, vai. Mas nunca fui.
Brenda: 
Deixo a esperança renascer, aqui dentro. Planto uma sementinha pequena, bem pequena. Cuido. Rego. Sol. Chuva. Calor. Aqueço.

E quando ela começa a brotar, daquele jeito frágil.. Pisam. Destroem.
Maria: Meu jardim nunca cresce, sempre perece. E eu fico com medo de acontecer de novo. Não pense que medo me impede de plantar tudo outra vez.
Já mencionei que sou uma boba?
Brenda: Boba sonhadora.

Já disse que sinto como se pudesse sonhar, outra vez?Me invadiu assim, esse sentimento bonito.
Maria: Sonhar não é muito bom.. aquilo nos dá liberdade pra imaginar e inventar. 
E de tanto me machucar, eu cansei.De inventar.Quero comprar pronto. Tem como comprar sonho pronto?
Brenda: Sonho pronto, só com goiabada dentro.Não gosto desses. Não me arrancam suspiros.

Prefiro os que acontecem até mesmo acordada. Esses sim! Mas sonho não se compra.Acho que se pode encontrar. Escondido. Em uma outra pessoa, sabe?
Maria: É, 
meu sonho sem goiaba dentro é uma pessoa. Mas, ou essa pessoa está bem acordada, ou seu sonho não sou eu.
Brenda: Quem sabe, ela pode estar sonhando acordada. 
Sonho bem sonhado é daqueles, com sentimento. Que quando se acorda, custa a acreditar que não foi verdade.
Maria: E se contorce na cama, tentando sonhar de novo. É, já sonhei assim. Eu acordei sofrendo.
Nunca mais consegui sonhar de novo. E continuei sofrendo.
Brenda: Somos mazoquistas, sabia? Não adianta negar. 
O sonho nos fez sofrer, e ainda assim, queremos mais. E nos lamentamos por não ter.
Maria: Pois então, Bê. 
Não é o sonho que nos faz sofrer. É o fim dele. Ou o não-começo, no meu caso.
Brenda: De um jeito ou de outro, sofremos.
 
Sobre o que estamos conversando, mesmo?
Maria: 
Sobre amor. Não é sempre sobre amor? 
Somos duas malucas apaixonadas.
Apaixonadas por uma idéia.
O amor.




Paixão distante, essa. O amor mora longe.
Manda cartas, vez ou outra, prometendo voltar. Mas é uma espera interminável, o coração cansa.
Espera que machuca. E traz o medo, de esperar de novo.